22 de nov de 2012 | 10:15 | 1 Comentários

Dormir acompanhada reduz a qualidade do sono, dizem médicos

Do Gay1

O casal de lésbicas Alex e Emma em comercial da K-Y Brand (Foto: Reprodução/YouTube)O casal de lésbicas Alex e Emma em comercial da K-Y Brand (Foto: Reprodução/YouTube)
A jornalista americana Alex, 32, tem um segredo: ela e a companheira dormem em quartos diferentes. O hábito começou há cinco anos, quando ela interrompeu um tratamento de apneia (suspensão da respiração durante o sono) pela quarta vez.

Nem a faxineira que limpa a casa sabe do arranjo. "Contamos para algum-as amigas e todas acharam esquisito, então preferimos nos resguardar", diz Paula.

A decisão do casal não é incomum, nem seu constrangimento. "Cerca de 40% dos meus pacientes dormem em camas ou quartos separados. Quase nenhum admite isso para a família", diz a otorrinolaringologista e médica do sono Ângela Beatriz Lana.

Um adulto médio tem entre 20 e 30 microdespertares por noite, momentos em que o sono REM, mais profundo e restaurador, é interrompido e a pessoa volta a uma etapa superficial. Ao trocar de posição na cama ou ranger os dentes a pessoa chega a um estado de semiconsciência. Quase acorda, mas não percebe. Quanto mais microdespertares tiver, mais cansada vai levantar no dia seguinte.

"Dividir a cama chega a dobrar a quantidade de microdespertares. É muito romântico, mas um fracasso do ponto de vista da saúde", diz Maurício Bagnato, médico do laboratório do sono do Hospital Sírio-Libanês.

Insônia, ronco, apneia, discordâncias sobre a temperatura do ar-condicionado, horários diferentes para dormir e acordar, presença de TV e aparelhos eletrônicos no quarto são os problemas mais citados pelos casais que resolveram dormir separados.



HÁBITO RECENTE
Cultivar o próprio espaço também é razão frequente para a separação de corpos.

Dormir junto é um hábito recente motivado antes por necessidade do que por romantismo, explica Neil Stanley, médico do sono e ex-presidente da Sociedade Britânica do Sono.

"Quando a Revolução Industrial apinhou as pessoas em pequenos espaços foi inevitável que os casais passassem a dividir o quarto. Antes, os pobres dormiam todos no mesmo cômodo e os ricos tinham um quarto para cada um", disse ele ao site Folha.

"Hoje as pessoas dormem com cachorro, filho, parceiro. Pode anotar: a qualidade do seu sono cai 20% para cada ser vivo que você inclui debaixo do lençol", diz Stanley.

Segundo o pesquisador, se você divide uma cama de casal padrão, dorme com nove centímetros a menos de espaço do que uma criança sozinha num colchão infantil.

Luciana Palombini, do Instituto do Sono da Unifesp, acha exagerado incentivar casais a dormirem separados. "A companhia traz prejuízos ao sono, mas pode trazer benefícios emocionais.

Dormir junto passa segurança e aconchego, o que é bom para tudo, inclusive para o sono."

"O casal perde momentos preciosos ao dormir separado", opina Cristiana Pereira, presidente do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo. "A rotina é tão perversa, cada um tem seu horário. Aquela conversinha gostosa antes de dormir é o contato mais significativo para muitos."

Segundo a terapeuta, compartilhar a cama também aumenta a frequência do sexo.

PIOR TRANSA
Já a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins discorda: "Relação íntima não depende de dormir junto. Por que o sexo funciona entre os amantes? Porque é agendado. Espontaneidade não funciona nesse assunto. Aquela transa que acontece quando um pé esbarra no outro é a pior de todas", diz.

Uma pesquisa da Universidade de Surrey, na Inglaterra, feita com 40 casais, chegou a resultados interessantes. No estudo, os casais dormiram juntos por dez dias e separados por outros dez.

O sono era monitorado por aparelhos e a cada manhã os voluntários eram convidados a classificar sua noite entre "boa", "razoável" ou "ruim". No fim da pesquisa, os aparelhos mostraram que as noites solitárias eram 50% melhores, em termos de qualidade de sono, mas os entrevistados diziam exatamente o contrário.

"Tudo que envolve o sono é muito individual", comenta Bagnato. "Do ponto de vista médico nós deveríamos dormir sozinhos. Mas quem são os médicos para escolher como uma pessoa dorme ou deixa de dormir?", conclui.

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