22 de out de 2011 | 15:27 | 3 Comentários

Genética sexualidade e preconceito



Nas últimas semanas falamos bastante sobre tecnologia da informação, web e redes sociais. Agora, aproveitando os dados lançados pela Fapesp que apontam as mulheres como sendo 42% dos pesquisadores científicos no Brasil (posso ouvir um uhuuuuul?! hehe) a idéia é migrarmos para outra área de discussão: biomédicas.

Vocês já devem ter percebido que eu gosto de conversar bastante para escrever um post, pegar informações, discutir e ter novas formas de entender um assunto. Pois bem, essa semana eu entrei em um chat para conversar com uma menina que conheci em um fórum de programação, e a conversa que era para ser apenas sobre sistemas foi bem mais longe. Ela acabou dizendo que era gay e desabafou sobre algo que a incomodava muito:

“Ah Feh, eu não posso me assumir totalmente no local de trabalho: já brincam muito comigo porque tenho voz grossa!”

Assumo que não fiquei surpresa, até porque eu também tenho uma voz um pouco mais grossa, mas lendo o que ela escrevia sobre isso, e percebendo o quanto isso a incomodava eu achei válido levantar essas questões no post dessa semana. Afinal: será que a genética dá suporte para todo esse preconceito?

Vamos começar com a questão da voz:

Encontrei um artigo do Valter Forastieri¹ sobre genética e orientação sexual que aborda uma questão fundamental: O estudo dos comportamentos genéticos e a análise de seus pontos em comum com a orientação sexual humana pode dar suporte ao diagnóstico, mas não será a verdade absoluta. A genética pode influenciar ou pode ser um ponto neutro nesse aspecto. Todos detêm de mutações genéticas, cromossomos diferentes numa totalidade de pares identificadores, mas não somos todos homossexuais, tampouco seremos.

Ou seja, é claro que a tessitura vocal provém de aspectos biológicos como a quantidade de testosterona e a espessura das cordas vocais, mas a orientação sexual depende de inúmeros outros fatores. Um ponto de vista que fecha essa discussão é o levantado pela estudante de biologia Daniele Mariano, de 25 anos, numa conversa com o Sapatômica:

Mulher que tem voz grossa, em geral, tem mais testosterona, uma postura mais forte, não tem braços finos. Mas isso está longe de ser atestado de homossexual! Se for assim a Cláudia Raia é a rainha das lésbicas! (risos) A minha irmã é dançarina de ballet há 20 anos, muito delicada, com uma voz tão aguda que incomoda e namora uma mulher há 2 anos. Eu jogo basquete e poker, tenho vozeirão, e sou casada com o meu marido há 5 anos.

Ana Carolina e Cássia Eller são figuras de inspiração para todas nós, mas não assumam essas características físicas como padrão gay! Lésbicas não precisam ter voz grossa, assim como uma mulher de voz grossa não precisa ser lésbica!

Então, sapamores, a partir de hoje vamos desvincular esses aspectos, ok?

Outra questão que algumas pessoas levantam nesse âmbito da genética e da sexualidade: Estrutura óssea.

Uma mulher com um ombro mais largo, assim como as de voz grossa, tem a tendência a serem menos delicadas e com uma postura que remete às características masculinas. Mas atentem-se a palavra “tendência”, pois assim como a voz, a estrutura óssea está longe de ser um fator direcione a orientação sexual.

Nesse caso existem até outros fatores que influenciam diretamente no distanciamento da genética com a sexualidade, como citou a estudante de radiologia Rejane Coelho, 23 anos: “(…) posso dizer que é mais a genética, mas esportes como boxe e natação que exigem esforço do tronco deixam os ombros mais largos!”.

Ou seja, se levarmos como regra essas questões ligadas à sexualidade a partir de hoje apenas gays poderiam praticar esses esportes! Fala sério, né? Já deu para perceber que esse tipo de questão não pode ser levado ao pé da letra.

O fato é que é natural criarmos estereótipos. Associamos características para distinguir grupos de pessoas, para saber os lugares onde nos sentiremos bem, para escolher um presente para um amigo. Um bom exemplo é o nosso gaydar (“nosso” foi modo de dizer, porque eu sou três zeros à esquerda em matéria de gaydar hehe) que nada mais é do que um feeling e uma percepção mais aguçada para determinados detalhes que julgamos diferenciar héteros de homos. Nisso não há problema algum, eu mesma gosto da minha voz mais grossa e não me importo quando percebo que ando muito com a mão no bolso. O problema está em levar aspectos naturais para o lado pejorativo e com isso pré julgar as pessoas.

Sapamores: ser gay é apenas amar uma pessoa do mesmo sexo! Para isso não precisamos ser iguais nem diferentes de ninguém.

Pensemos como Carl Jung: Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos nem mesmo todos devem viver a mesma vida. Somos feitos e refeitos para os direitos das nossas diferenças.

Posso ouvir um viva a nossa linda “diversidade sapatômica”?! (hehe brincadeira)

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