1 de ago de 2011 | 14:01 | 12 Comentários

Lesbofobia e Estupro Corretivo

Por Rebeka
Lesbofobia (ou lesbifobia) inclui várias formas de negatividade em relação às mulheres lésbicas como indivíduos, como um casal ou como um grupo social. Com base nas categorias de sexo ou gênero biológico,orientação sexual, identidade lésbica e expressão de gênero, esta negatividade engloba preconceito, discriminação e abuso, além de atitudes e sentimentos variando de desdém a hostilidade. Como tal, a lesbofobia é sexismo contra as mulheres que intersecta com homofobia e vice-versa. Cynthia Petersen¹, uma professora de Direito na Universidade de Ottawa, definiu lesbofobia como também incluindo "o medo que as mulheres têm de amar outras mulheres, assim como o medo que os homens (incluindo gays) têm das mulheres não amá-los"²
Estupro corretivo é uma prática criminosa, segundo a qual um ou mais homens esturpram mulheres lésbicas ou que parecem ser, supostamente como forma de "curar" a mulher de sua orientação sexual.


O termo "estupro corretivo" foi usada pela primeira vez no início de 2000 por direitos humanos de organizações não-governamentais para descrever esses estupros cometidos contra Sul Africanas lésbicas. 

Um ataque notável deste tipo ocorreu em 2008, quando Eudy Simelane, um membro da mulher da equipe nacional de futebol da África do Sul e uma representante LGBT ativista dos direitos humanos na África do Sul, foi estuprada e assassinada em KwaThema, Gauteng.

Um relatório de novembro de 2008 feito pela ONG ActionAid e pela Comissão Sul Africana de Direitos Humanos pediu a criação de uma legislação que visam especificamente os crimes de ódio, incluindo a violação corretiva.²

A violência lesbofobica é diferente de outras homofobias,entre as principais formas de ataque sofrido por lésbicas está a violência sexual.

Em 2010,centenas de lésbicas foram esturpradas no interior da África do Sul e de outros paises africanos como forma de "feminilização" delas.Millicent Gaika foi atada, estrangulada e estuprada repetidamente durante um ataque no ano passado. Ativistas sul-africanas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent desperte mudanças. O seu apelo para o Ministro da Justiça repercutiu tanto que conquistou 140.000 assinaturas, forçando o ministro a responder ao caso em rede nacional. .Esse é o famoso caso de "esturpro corretivo".
O mais absurdo,é que na maioria das vezes o violentador é um familiar da vitima e/ou também a violencia acontece com o consentimento da familia.


Na sociedade preconceituosa,um tanto machista e muitas vezes estimulada por religiões que não toleram a homossexualidade,o homem com essa fobia,tenta afirmar sua "supremacia" (sexual e de gênero) sobre a vitima.E sendo ela mulher,esse individuo tem maior facilidade,pois por mais "fortes" que possamos ser,é da natureza humana o homem ter muito mais força fisica que nós mulheres.

Um exemplo triste e real de esturpro corretivo,é a história verídica que nos e apresentada sem pudores no filme "Meninos Não Choram"
,(premiado com o Oscar de melhor atriz para a protagonista Hilary Swank) que nos leva a uma situação de incompreensão e de violência,onde prevalece o preconceito explícito e a ignorância sem limites dos agressores.

Esse filme mostra claramente a triste situação de uma mulher homossexual em nossa sociedade.

Muitos pesquisadores acreditam que o que leva o agressor a cometer tais atos,é uma fobia descrita por Freud como Complexo de Édipo(O complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanalise, entendido por esta como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. 



Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai (não que o pai seja exclusivo, pode ser qualquer outra pessoa que desvie a atenção que ela tem para com o filho), mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil se resume a estas figuras parentais ou aos representantes delas. Uma vez que o ser humano não pode ser concebido sem um pai ou uma mãe (ainda que nunca venha a conhecer uma destas partes ou as duas), a relação que existe nesta tríade é, segundo a psicanálise, a essência do conflito do ser humano.)²

Muitos deles nunca tiveram uma relação sadia com suas mães,por isso desenvolveram um verdadeiro pavor de mulheres,que nem eles sabem distinguir que estão sofrendo de uma fobia.Deste modo promovem a violência contra mulheres homo e bissexuais.



Mas fica a pergunta.O que podemos fazer para mudar essa triste realidade?Particulamente,acredito que a base de tudo é a educação,que além de vir de casa,deve também vir das escolas,para que desde cedo possamos criar nossas crianças com a consciência de que todos somos iguais,sem distinção de raça,cor,credo ou orientação sexual.Pois somente assim estaremos evoluindo para uma sociedade livre de qualquer preconceito,que nos faz viver como escravos de conceitos totalmente distorcidos do que é certo ou errado,deixando sempre o errado prevalecer por medo de nossos fantasmas interiores.

Além do mais,não podemos continuar nos escondendo em lugares denominados "para gays",como fossemos animais irracionais para que os denominados "normais" possam viver tranquilamente sua vida sem ter que nos enxergar.

Somente unidos conseguiremos mudar essa dura realidade e mostrar ao mundo que DEVEMOS E TEMOS O DIREITO DE SER,VIVER,E SER TRATADOS como pessoas normais que somos.

¹ Pettersen,Cynthia(1994)"Living Dangerourly Speaking Lesbian,Teaching Law."Canadian Journal of Womam & The Law 7(2).
² Wikipédia

Rebeka Travassos


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